Blog do Carneiro
Cultura Amazônica e Preservação Ambiental-
Fiquemos atentos todos
Posted on abril 30th, 2010 1 comment
A política está fervendo. No artigo anterior, propus que todos ficassem atentos ao desfile de inteligências que é proporcionado pelas eleições presidenciais. Não há pergunta sem resposta, as promessas jorram como cascatas. Se o entrevistado é questionado sobre o flagelo que é a segurança pública no Brasil, ele vem e de bate-pronto informa que vai implantar um Ministério da Segurança Pública. É? E vai esvaziar os outros, que abrigam segmentos que migrarão, decerto, para o MSP – duvido que seja este o nome: a similaridade com outro organismo resulta em brotoejas. Ainda bem que o entrevistador não questionou o que ele faria para tratar de um assunto dos mais avassaladores na sociedade moderna, pelo que tem de agressão ao ser humano indefeso: a pedofilia. Se perguntasse, era capaz de o candidato informar que iria criar o Ministério da Pedofilia. Ao citar identificável, poderá parecer a uns e outros que estou declarando simpatias, pois querem porque querem dividir o Brasil em duas Capitanias Hereditárias, onde, ao ser contra um, se é a favor de outro e vice versa. Nada disto. Sou contra, por decepção acumulada, a esta geração inteira de políticos, que “sabem” as soluções de todos os nossos males, mas não solucionam nem um. O Brasil não é deles, é de todos nós, mas eles foram politicamente eficazes o suficiente para dividir o país entre o cara e a coroa. Entre o que foi prefeito de São Paulo e governador do estado, e as suas passagens não resistem a uma só chuva, e a que só fez parte do tal de PAC, o que não quer dizer muita coisa. O Brasil, entre outras coisas, sofre de uma indigência de gestão pública. Muitas vezes verba há, não há é capacidade de usá-la convenientemente. O ganhador de eleições tem que abrigar os indicados pelos chamados aliados, e os Governos viram colchas de retalhos, e começa a troca de acusações de culpa, antes do rompimento ruidoso.
Reformas. Estas são repisadas como necessárias para rearrumar o destino da Nação brasileira. Ora, são necessárias, os discursos convergem, jamais divergem: qual o motivo de não serem feitas? O sistema prisional, a legislação em vários de seus segmentos, a reforma do ensino, a saúde, flagelo nacional. Governos tiveram acertos, sim, FHC no início da retomada da economia e Lula na procura incessante do crescimento, o mesmo Lula se lembrando do que os outros ignoravam, a presença dos excluídos. Paternalista? A história de dar um anzol ao famélico, e não o peixe, pode ater ser verdadeira onde há peixes para serem pescados. E onde não há? Houve, sim, uma área de acertos, mas a área da embromação é muito maior que esta.
Nestas eleições, seria interessante ouvir, ainda que com certa desconfiança e algo de resistência, as propostas, os programas eleitorais. Se o cara é candidato a uma cadeira legislativa, que Leis irá propor? Ou promete que vai dotar as escolas de cadeiras escolares? Ora, isto não é atribuição dele: descarte. E os candidatos à Presidência? E os aos Governos estaduais?Propostas. Fique atento. Hoje, a facilidade de se guardar imagens ajuda a desmascarar os mentirosos. Ou, no mínimo, tentar lembrar os esquecidos.
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SENTIDOS ATENTOS: VAI COMEÇAR O DESFILE
Posted on março 23rd, 2010 No comments
Vai começar o desfile de inteligências e promessas: a campanha eleitoral para Presidência da República e Governos Estaduais. Em todos os veículos de divulgação, teremos acessos a inteligências privilegiadas que mostrarão os caminhos para sedimentar estradas que levarão o país e seus estados a um futuro grandioso. A Amazônia está em uma encruzilhada histórica: qual o seu futuro? Como equacionar a necessidade de progresso com a perenidade da mata? Antes das eleições, os candidatos mostram todo o seu preparo para o cargo. Conhecem as soluções. Dão aulas de preparo. Verdadeiros arautos de novos tempos.
Mas…
A Usina Hidroelétrica de Tucuruí foi construída num tempo em que os grandes projetos eram gestados em gabinetes, sem ouvir a quem quer que seja, e estes quem quer que seja estavam silentes, encurralados pelo sistema ditatorial que administrava o país. Obra importante e grandiosa, para ver diminuídos os custos não teve a contemplá-la as eclusas que permitiriam a continuidade da navegação pelo rio. A sua falta secionou o rio, separando o que os técnicos identificam como “montante” e “jusante”. Se a região fosse uma cidade, seria como se um muro impedisse que habitantes de um lado passassem ao outro – no caso, com suas embarcações, de qualquer calado. E veio a democratização do país. Com ela, eleições presidenciais. E o desfile de embromadores. Exemplos.
Fernando Henrique Cardoso veio e, com o seu preparo intelectual diferenciado, lamentou a falta de eclusas na HDE Tucuruí. Mas ele iria, se eleito, resgatar esta dívida com a região: construir a s eclusas. Prioridade do seu Governo, não como benemerência à população, mas, sim, como necessidade premente para fomentar o progresso de toda a área. Findo o primeiro governo, ele gostou tanto que inventou a reeleição, que foi aprovada sabe-se lá como. Voltou à Amazônia, e disse lamentar que no primeiro período governamental tivesse que arrumar a casa, (que, de certa forma, era a dele, Ministro do Governo anterior), razão de não ter cumprido a promessa da construção das eclusas. Votassem nele para um segundo mandato, e uma prioridade inenarrável seria a construção das eclusas da HDE. Veio, foi, sumiu e eclusas não construiu, e hoje não tem nada mais a ver com este assunto. Veio o Lula. Lamentou que tivessem secionado o rio, mas ele iria pagar esta dívida da União com a Amazônia, e construir as eclusas. Terminando o primeiro mandato, voltou, e disse que não tinha sido possível acabar a obra (sim, ela se arrasta como lesma, financiamentos múltiplos), votassem nele que ele um dia viria, ainda como presidente, inaugurar a obra. Dizem que vai acabar agora. Nunca se sabe. Mesmo que cheguem ao fim, não apagarão, as décadas de estagnação a que foi condenada a região. Mas não há de ser nada: vai começar o desfile de promessas. Fiquemos atentos, todos. Se não quando, apenas para ver, com sensação de impotência, a cara dos mentirosos, se for o caso – o que, até agora, tem sido.
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A Volta
Posted on fevereiro 19th, 2010 2 commentsTenho andando meio ausente do blog, mas tudo na vida tem uma explicação, ou desculpa, ainda que esfarrapada. A minha é justificada, e relatarei a seguir o que se passa.
Vou lançar dois novos livros, provavelmente no dia 15 de abril, data de meu aniversário. É aquele negócio: reunir parentes, amigos, de uma forma um pouco diferente, acho que está pintando ser possível. Ocorre que estou naquela que, para mim, é a pior fase da criação literária: a que tem o trabalho pronto, a gente pensa que até revisado, mas é só pegar e saltam letras que escaparam da milésima revisão, ocorre um acréscimo num repente, uma novidade, um enxerto que, a gente pensa, enriquecerá o trabalho. E tem mais: como tenho minhas obrigações profissionais, o tempo que resta ao projeto “livros” é diminuto. Acho que o editor já está quase gritando “pira paz, não quero mais”, e vai abandonar o projeto próximo à linha de chegada.
Um dos livros encontra uma facilidade maior, e, diria, está pronto, faltam apenas detalhes da capa. É o Canto de Página II, reunindo crônicas e contos publicados em coluna minha do jornal Diário do Pará, de Belém. Como é para registro de uma fase da coluna, é II porque já houve um antes: este tem os trabalhos concluídos. O outro, não. O outro, de nome “+!? O Churrasco Descomplicado”, tem por base a culinária e como carro chefe o churrasco, mas longe de ser um livro que só trate de pratos e assados. Longe disto: tem crônicas, mini-contos, histórias, da humanidade e da carne, é um livro que foge do lugar comum dos livros culinaristas. Bom? Deixem-me que diga: só um cara com autocrítica perto do zero lançaria um livro em que não vê qualidade. Ocorre que cada ser humano tem a sua forma de pensar, a sua base de apreciação literária. A uns, vai agradar, decerto, a outros nem tanto, e não me admirarei se alguns abominarem. É assim com tudo o que é pessoal, na vida, visto por observador de fora. Ao ser publicado, o escritor perde o controle sobre a sua criação. O que posso dizer é que foi prazeroso escrevê-lo, espero que a uns e outros seja lê-lo.
Assim que eu me livrar destes dois livros – creio que agora, no final de fevereiro, eu voltarei à Amazônia de onde nunca saí. Ela sim, paulatinamente está saindo do mapa. Com maior ou menor velocidade, pode ser, mas que está – continua – encolhendo, está, e cada vez mais, e não sei se esta geração de governantes terá inteligência e força suficientes para reverter o processo. Até agora, não. Á geração vindoura restará apenas, talvez, apagar o fogo. Não demoro.
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AMAZON GARDEN?
Posted on setembro 30th, 2009 2 comments
Há propostas de intocablilidade da Amazônia. Seria assim como se um imenso jardim, inexplorável. Há ameaças de retaliações internacionais, se não se concretizar a idéia de que ninguém pode entrar mais no mato. Acabados outros espaços, vamos preservar a nesga (em termos planetários) que restou. E as gentes, que aqui vivem? Condenadas à estagnação? Transfere-se Belém, Manaus e todas as outras cidades, vilas e povoados, tribos, para onde? Aliás, tribos, não: elas estão aí desde que o mundo é mundo. E se saírem, com quem negociarão algumas das “ONGs” cujo interesse pelos silvículas é estranhamente novo? Volta-se ao entorno: se ele se tornar intocável, muitas das atividades econômicas serão prejudicadas. O radicalismo muitas vezes (maioria? Minoria? Como mensurar?) embota a compreensão. Há estudos sérios e de comprovada eficácia, de sustentabilidade. Há um potencial teórico a ser constatado ou desmentido antes de qualquer outra medida a ser adotada na região. O espaço da Amazônia é uma dádiva que não deve ser destruído sem volta para benefício de uns poucos, para o exercício de atividades que não são o seu destino mais inteligente. Dádivas devem ser aproveitadas com inteligência. A ninguém é dado o direito de delas abrir mão.
Ninguém se iluda: as riquezas estão mapeadas alhures, e a “defesa” veemente que a gringalhada faz deve ser traduzida, na sua maioria, por conceitos antigos, tipo “ninguém tasca, eu vi primeiro”, ou o passional “se não me pertence, não pertencerá a ninguém”.
Uma palavra deflagraria as ações necessárias a um procedimento correto: seriedade. Com ela, deveriam silenciar os que (são tantos, meu Deus!!) vivem acometidos da chamada “volúpia do destaque”, que não colocam no peito uma melancia, para que sejam noticiados, e surjam fotografados com ar de inconvencível seriedade, talvez porque não gostem de carregar peso, se metem e intrometem em tudo, desde o que para tal são pagos pela sociedade, extrapolando para o que não lhes diz respeito, o que é abominável.
A Amazônia não é um jardim. O paisagismo é uma arte, equilibra os elementos disponíveis e acrescidos -inclusive vegetais – para deleitar sentidos. Palmeiras bem escolhidas, para que suas características sejam ressaltadas, podem ensejar a que se olhe para elas com agrado, longos momentos, principalmente se inseridas num ambiente de fim de tarde como estas registradas por mim no Mosteiro de São Bento, em Brasília, para (re)visitas, pois perenizadas no visor da máquina, no computador e em papéis, além do mais importante registro que é o da memória pessoal. Isto é paisagismo. Isto é ajardinamento. A Amazônia, não!! A Amazônia não é um jardim!!
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MADEIRA DE LEI. DE LEI? QUAL?
Posted on agosto 27th, 2009 No comments
É comum se falar “madeira de lei” a “três por dois”, como se dizia na minha infância. Achou que tem qualidade? “È madeira de lei”, diz o pávulo, como se profundo conhecedor do tema. Ora, ora… Quem estabelece se esta ou aquela madeira é de lei? Onde o “vademecum” comprobatório da tal da lei?Vamos estender o equívoco, procurando o testemunho dos dicionários. 1 – Dicionário Enciclopédico Larousse: “a que, por ser mais rija e resistente ao tempo e ao cupim, é usada em marcenaria de luxo, construção, cascos de navios etc”. E a lei? Será que as leis são leis porque mais rijas e resistentes ao tempo e aos cupins? Dicionário Houaiss da língua portuguesa: “madeira resistente à ação do tempo, ao clima, às intempéries”. E a lei? Resiste à ação do tempo e às intempéries, daí a sinonímia? Novo Dicionário Aurélio: “madeira dura ou rija, própria para construções e trabalhos expostos às intempéries”. Leis são duras e rijas? Como se vê, há uma conexão entre os intérpretes das palavras, que elegeram dureza, beleza e resistência e outros detalhes madereiros como a explicação para o verbete.
Tudo tem um início. Porque diabos alguém chegaria em uma serraria, e ao olhar para uma tora, diria: “que madeira de lei bonita”. Vamos viajar no tempo, até o império brasileiro, ver onde tudo começou.
1827, Carta de Lei de 15 de outubro.O &12 do art. 5º, “incumbia aos juízes de paz das províncias a fiscalização das matas e zelar pela interdição do corte das madeiras de construção em geral, por isso chamadas madeiras de lei.” (PEREIRA, Osny Duarte. Direito Florestal Brasileiro. 1950. p. 96) Foi aí que começou o entendimento que “madeira de lei” era a que servia para a construção em geral. O mesmo autor complementa: “…no Império, o art. nr. 70 da Lei de 21 de outubro de 1843, o Regulamento no. 363 de 20 de junho de 1844 e a circular de 5 de fevereiro de 1858 enumerava “ as madeiras cujo corte era reservado mesmo em terras particulares”. Em outras palavras: ontem, como hoje, algumas árvores só poderiam ser tiradas da mata com autorização legal, na Ilha Da Fantasia, desculpe, no Brasil, que, como se sabe, continua a ser o “império da lei”, mas jamais chegou a obedecer a uma “lei do império”, nem da república, pois. Vejam bem: Carta de Lei de 1827, regulamentada por uma lei de 1844 (17 anos depois), e por circular de 1858 (31 anos depois). Parece até hoje, em que alguns Artigos da Constituição de 1988 (hoje, 2009, 21 anos depois), ainda não foram regulamentados…
Relação das árvores identificadas inicialmente como “de propriedade do Império”, relacionadas na circular de 5 de fevereiro de 1858, acrescentando que, anteriormente, a árvore conhecida como GUANANDÍ Calophyllum brasiliensis já recebia esta identificação, somente podendo ser retirada das matas com a chancela imperial.
Acaiacá (Cedrela fissilis) Cedro rora
Jacareúba/Guanandi (Calophyllum brasiliensis)
Ipê (Tabebuia sp.)
Imbuia (Ocotea porosa)
Jacarandá (Jacaranda sp.) Dalberg nigra – jacarandá da bahia
Mogno (Swietenia sp.)
Angico (Anadenanthera sp., Parapiptadenia sp., Piptadenia sp.)
Pau-Brasil (Caesalpinia echinata)
Andiroba (Carapa guianensis)
Araribá (Centrolobium tomentosum)Desta relação, o Bosque Sonho do Carneiro só não tem a “Imbuia”.
A árvore “Pau Brasil” é legalmente declarada como “árvore símbolo do Brasil”, em 1961, pelo Presidente Janio Quadros, em um raro momento de sobriedade. Tentaram identificar a árvore “Ipê (amarelo)” como árvore, e posteriormente, porque a pau Brasil já ocupava o lugar, a flor da árvore como “flor símbolo do Brasil”, mas, diferente do que se pensa, o projeto não foi aprovado pela Câmara dos Deputados. No Pará, o açaizeiro é declarado fruto símbolo, e tramita na Assembléia Legislativa projeto para reconhecer como “árvore símbolo” do Estado o Mogno.
Rápidas considerações sobre pau Brasil, brasileiros e outros temas correlatos: “brasil”, em celta, significa vermelho e a resina do cerne do tronco da árvore é desta cor. Os homens que lidavam com “a brasil” eram chamados de “brasileiros”, e o sufixo “eiro” é designativo de profissão ou atividade: “carteiro, carroceiro, jardineiro, engenheiro, etc”, e não de nacionalidade (como passaram a ser conhecidos dos “brasileiros”). Os nacionais ou naturais têm sufixos diversos, como “ano” (pernambucano, sergipano etc), “ense” (paraense, cearense etc) e outras variações. Por este conceito, o brasileiro deveria ser brasilense, brasilano etc. Somos “brasileiros” porque os nossos antepassados eram assim chamados para identificá-los como “trabalhadores do brasil” (a árvore). A vermelhidão do seu cerne, aliás, foi o que resultou ser seu nome indígena “ibirapitanga” com o significado de “madeira cor de brasa”.
Eis aí desnudada a raiz da “madeira de lei”, com o acréscimo de alguns detalhes “arbóreos”.
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Testemunho : de como um engenheiro rodoviário viu o mato sumir.
Posted on julho 6th, 2009 No comments
Apesar de pessoalmente ter testemunhado o encolhimento da cobertura verde da Amazônia, na parte que cabe ao Pará, graças a sucessivos trabalhos realizados em todos os recantos do nosso estado, o testemunho de um Engenheiro rodoviário assumiu ares de definitivo:“Trabalhei na abertura da rodovia transamazônica, logo no início dos trabalhos de derrubada das árvores, a partir da sede do município de Altamira. Rasgávamos a floresta para implantar o leito da estrada, e era quase assustador o “paredão” de troncos de gigantescas árvores, dos dois lados da picada aberta, que mesmo depois de desmatada era escura. Digo “paredão”, pois os troncos eram tão juntos que era necessário procurar espaços se quisesse entrar na mata, quase impenetrável, e só acompanhado por mateiro experiente a gente ousava vê-la “por dentro”, e trilha era coisa inexistente, um chão de folhas mortas muito alto, uma umidade de doer nos ossos, o silêncio cortado por muitos sons diferentes de todos os que havia escutado, e que eu sabia que eram de bichos, sim, mas quais?. Depois fui para outras estradas, em outros cantos do Brasil. Há poucos dias voltei, numa viagem saudosista, ao exato ponto que ajudei a começar a abrir a estrada, e fiquei pasmo: o paredão das árvores sumiu como se jamais tivesse existido, hoje se pode, como se estivéssemos numa praia, ver a curva da terra na área completamente desnudada. O pior: muito deste desmatamento, pelo desolado da paisagem fantasmagórica, pela visível miséria que é latente na área, que apresenta manifesto abandono, indica que quase tudo foi feito para absolutamente nada”.
Não são necessárias palavras para completar o pensamento
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Fazer o que?
Posted on julho 6th, 2009 1 comment
Primeiro eles vieram e, graças à omissão dos governos de todas as épocas, desmataram e transformaram em pasto áreas imensas, onde implantaram projetos agropastoris de grande amplitude, sem dar satisfações a ninguém. E os bois transformaram a paisagem. A Amazônia encolheu, mas o sucesso de alguns empreendimentos foi real, a economia do entorno destes projetos passou a ser movimentada pelo negócio substituto da floresta. Segmentos comerciais e industriais trouxeram instrumentos da vida moderna, como a luz e o telefone, empregos diretos e indiretos tiraram da letargia grande áreas. E o crescimento dos negócios levou os empreendedores a desmatar mais, aproveitando-se da inércia do Estado, a aprimorar seus rebanhos, a necessitar de mais empregos diretos, além dos indiretos implantados às proximidades. Enfim, parecia ter sido decretado o fim da mesmice, ainda que com o empobrecimento da cobertura vegetal da região e do planeta terra. Milhares de folhas, troncos, galhos, de todos os tamanhos e formatos, sabe-se lá se alguns vivendo especificamente naquelas áreas, desapareceram sem que se tenha feito um estudo do seu potencial em outras áreas que a ciência vive pesquisando para melhorar a vida do homem. Sob as patas dos bois, milênios de história foram emudecidos. De repente…
Resolveu-se que as leis, há muito existentes, deveriam ser cumpridas. Elas existiam, sim, há muito tempo, mas eram ignoradas pelos aproveitadores e pelos governos, e desconhecidas pelos habitantes das áreas atingidas. Desconhecidas, pois os próprios habitantes eram ignorados pelo poder público, e não recebiam as informações básicas sobre o legal e o ilegal, viviam como a vida permitia viver. A consciência dos males que o desmatamento desenfreado causa só era conhecida de poucos, e, estes, considerados “eco-chatos”, “folclóricos”. Como não foi obtida – e nem poderia ser – licença para o desmatamento da maioria, proíba-se, décadas após, de supetão, o negócio depois de implantado, depois do pasto vicejante, do boi tornado altaneiro: nem o berro do boi dali poderia ser negociado, vendido, transportado, doado. E em cascata, a quebradeira geral. Empregos diretos e indiretos viraram o mesmo pó que queimou as árvores de lá de trás. E no lugar do progresso, a miséria. Mais forte que a anterior, pois a anterior era com pouca gente e muito mato, e a de agora, com gente de outras paragens, e sem o mato que fornecia sobrevivência aos seus habitantes, acostumados a lidar com plantas e águas.
A floresta não é um jardim: sob certas condições, estudadas e reestudada estas por cientistas de todo mundo, pode ser manuseada, oferecendo condições de vida aos seus habitantes e a empreendedores, sem que seja exterminada. Aos habitantes não é perguntado se pode queimar, se tem que fechar o negócio que prosperou nas localidades queimadas. Também a eles não é ensinado o que fazer para conseguir usufruir de palavras que enchem a boca dos governantes, talvez porque sejam bonitas: cidadania e dignidade. Os habitantes são as vítimas, que se perguntam sempre: quando, afinal, alguém sério, alguém com boa intenção virá ensinar a eles o manuseio correto para que tenham comida à mesa, uma geladeirinha, um fogão à gás. Trabalhar, querem, mas, como? A eles não foi oferecido estudo para analisarem opções, e todos sabem que é na educação que começa um grande país.
No Brasil a educação ainda está na fase de greve de professores por salário, um dos maiores Estados brasileiros distribui na rede pública um mapa da América do Sul com dois Paraguais e cartilha de kamasutra para pré-adolescentes, a polícia ainda invade Universidades para atirar em estudantes e professores – e isto em um Estado cujo governador é potencial presidente da República brasileira, mostrando que a luz no fim do túnel, nem de humilde lanterna existe…Juntando-se aos que queimam criminosamente a mata, tornaram-se os da mata marginais - quem faz as coisas à margem da lei é marginal, definição clássica, e eles o eram por absoluta falta de opção e informação. Aprenderam a montar cavalos jamais vistos antes (quando muito um burro, ou, se vindo de outras bandas, um jegue), a descarnar o gado que antes, quando tinha, era um magricelo fornecedor de leite magro para as magras crianças, para auxiliar os que implantaram imensos negócios, sob as vistas grossas do governo do seu país. Muitos “do sul” foram morar nas cucuias, trazidos pelo governo que também foi um desmatador de estradas jamais terminadas, sem acompanhamento de legislações e autoridades que impedissem desmatamentos insensatos transformando estas estradas em verdadeiros caminhos abertos para que por eles transite a ilegalidade, gente esta, a “do sul” trazida com a desculpa que agora teria suas terras, e hoje o governo, o mesmo, com outras gentes, mas o governo do seu mesmo país, diz que não se pode plantar nada nas terras que recebeu.
Enquanto isto outra floresta, a Atlântica, diminui até que se anteveja com exatidão quase matemática o seu extermínio geral, mas é tratada como se lá estivesse tudo legal, como se o boi, a soja e a cana tivessem licença para substituir os seus jequetibás, o Pará ao que parece o único a ser atingido pelo desmatamento desenfreado ilegal. Dizem que é porque as autoridades que agora acordaram são “Federais do Pará”, mas não são “Federais Federais”, isto é, mesmo que Federais, se são “do Pará”, só apitam no Pará. O resto pode ficar tranqüilo com seus bois e suas gramíneas. O gado que não se compra mais aqui, se compra lá, comprovando que ilegal, só o Pará – ninguém é trouxa de pensar que se deixou de comprar: deixou de comprar no Pará, apenas e tão somente. As outras regiões, com sorriso largo, agradecem às autoridades “do Pará” que só apitam cá, desligadas – ou desconhecidas, ou ignoradas - dos de lá, e que receberam pedidos de “encomendas” extras dos seus bois – alguém duvida disto? Conhecida multinacional destruiu cerca de dez mil hectares no Amazonas para plantar cana, e polui rios e igarapés da região lançando neles agrotóxicos e vinhoto. Se fosse no Pará, os “federais de cá” já estariam bramindo a espada da Justiça, gritando “eu tenho a força”, e fechando as fábricas da tal multinacional, desempregando gente, e daí? Lá, o silêncio é mais constrangedor quando se sabe que a multinacional integrou o poderoso lobby que escolheu Manaus como uma das subsedes da copa do mundo de 2014.
Afinal, o interiorano da mata do Norte se pergunta: quando surgirá, entre estes seres iluminados, alguém com inteligência real, não esta inteligência que sabe analisar leis, mas não sabe analisar vidas, e estará aberto ao estudo de opções, para consertar erros do passado e impedir os do futuro? Quando se deixará de ser oito ou oitenta? Tem saída, a região? Tem! Falta aparecer quem queira solucionar, não apenas mostrar que tem poder, pois existem alternativas! O homem da mata, o mesmo que assistiu com a família o desmatamento, que recebeu gente de todo lugar para viver como se ali nascido, e agora vê a miséria vir mais forte do que nunca, pois para mais gente e muito, muito menos mato, se pergunta: fazer o que?
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E n´é que n´é? O Sonho em Quadrinhos da Revista Pororoca
Posted on junho 7th, 2009 No comments
Detalhe do Quadrinho "Sonho do Carneiro".
“E n´é qui né”? Era um jogo de palavras, que na brincadeira do meu tempo criança se usava ao se deparar com o inusitado. “E n´é qui né”? Foi o que pensei, num regresso da mente a tempos felizes, ao saber que parte da minha vida havia sido quadrinizada pela Revista Pororoca, em seu segundo número.
A revista é séria, é bonita, é indicadora de rumos. Pois fui avisado: “O Sonho do Carneiro” – bosque que plantei em Marituba, cidade da região metropolitana de Belém, Pará – “virou história em quadrinhos”, foi-me dito assim, como se coisa simples, comum. E foi?
E n´é que foi? Pois eu estou lá, em canoa, em trilhas pelo meio do mato, em conversa com índio, tudo atrás de mudas que pudessem ser preservadas, num grito mudo contra esta insensatez que troca o mil pelo seis. Não sou um super herói, sou um ser fragilizado, mas sou, antes de tudo, um amante da Amazônia, testemunha viva da degradação da floresta. Depois deste texto, leiam os a seguir, publicados no meu livro “Novelário”, para que vejam que, desde 1979, ano da publicação do livro, (e mesmo antes), eu já gritava contra o avanço da destruição sem peias, em outros textos/colaborações espalhados pelos jornais da terra.
Eu sempre disse, quando me perguntam de quem a culpa pelo descalabro com relação à Amazônia: do Governo. Não este, não aquele: todos os que se identificam pela palavra, pode ser comandado por Professor Doutor, ou por Operário Torneiro que no fundo é tudo igual. Madeira não se transporta via satélite: vai via rodoviária, ou marítima. Não é pouca, não é leve, não é camuflável: se ela vai, pode ser vista. Como consegue passar? Uma. Outra. Lei manda que se mostre certificado de procedência, que lá fora a maioria exige: se vendem armário de mogno, declarando ser de eucalipto, a culpa da queda daquela árvore de mogno, virada móvel, é de quem não fiscaliza a mudança, tanto quanto de quem derrubou a árvore, e de quem fabricou o móvel sem nem querer saber de onde veio aquela madeira, sobrando para o comprador, que não deveria comprar sem questionar. Queimou-se a mata para criar boi: tinha licença? Quem deve saber? Quem deve perguntar? O Governo.
Ah, não tem licença? Vai pastar, desgramado, palavra que identifica aquele que não tem nem pode ter, (ao menos ali), a grama que vai substituir sabe-se lá quantos cem anos da criação de um espaço formado longa, silenciosa e cuidadosamente pela natureza. Quem compra o móvel proibido é culpado? Tudo que bem: é, também. Mas quem deveria ter criado, desde muito tempo, nas crianças, a consciência do certo/errado? O Governo, pois deveria ter obrigado a escola, além de ensinar que b com a faz BA, e que Ivo viu a uva, a orientar a meninada rumo à cidadania, dizendo entre outras coisas: se vires uma loja vendendo mogno e outras madeiras relacionadas com apuro no rumo da extinção, grita, esperneia: é o teu país que está empobrecendo de graça, e tu serás uma das maiores vítimas, mesmo que longe da derrubada, dos seus efeitos!
“Ah, mas a biopirataria é uma realidade”. Acreditem, se quiserem: o spilanthol, substância encontrada no nosso velho jambú, conhecido dos indígenas antes da chegada dos europeus, tem patentes internacionais pedidas nos Estados Unidos, França, Inglaterra e Japão. Está virando pasta de dentes e perfume. Não tardará e iremos diminuindo o grito do que “é nosso”, e deixaremos de dizer que “a Amazônia é nossa” e mentiremos até ao dizer que “o jambú é nosso”, pois nem ele será mais! Não quero ser repetitivo: mas de quem a culpa? Nem digito, para não perder tempo. Só um argumento: quantas e quais as ONGS que funcionam na Amazônia? Quais, e para que recebem incentivo do Governo?
É o ribeirinho que tem que responder a estas perguntas, fazer o controle? Ora, “se espremer”, como diz o caboclo, no caldo tirado ninguém deverá se surpreender se aflorar a informação que o Governo paga biopiratas para que eles façam melhor o seu trabalho! Toda grande Nação começa pelo investimento maciço na educação. No Brasil ainda se está na fase de greves por salários, uma Secretaria Estadual de Educação distribui mapas com dois Paraguais e obras de Kama Sutra para estudantes pré-adolescentes…
Desde por volta de 1980, esquadrinhei a Amazônia para catar mudas ou sementes de espécies cada vez em menor número na floresta. Porque? Para perseguir um sonho (que virou o Sonho do Carneiro): se a clonagem via células, de vegetais, se sedimentar, vencer os desafios, não apenas na multiplicação, que esta está quase toda dominada, mas na sanidade dos resultados, na possibilidade da monocultura, uma folha de uma árvore poderá ser usada para recriar a espécie. Coisa assim, simples, sem maiores pretensões.
Se tem quem ache que esta ação não resultará em nada, tem quem pense que a atividade é inteligente, é corajosa, é admirável. E sabe o que mais? Depois de um certo tempo tateando meio como que no escuro, ao ver quanto caminho percorrido, ao ter conseguido tanta coisa difícil, ao ver o bosque formado, igual a tantos pisados, ao ver aves e mamíferos cada vez mais raros de se ver em regiões metropolitanas, trazidos ao Bosque pelo faro do seu destino, passei a acreditar um pouco nos conceitos assim adjetivados.
E eis que, de repente, aquele desenhado ali na Pororoca sou eu, aquela história é uma parcela da minha história pessoal, que rebuscou até um episódio dos idos 60 do Século passado, quando foi lançado o “freezer” em Belém do Pará e eu fazia um comercial “ao vivo”, saindo dele e proclamando que dali saía “até um carneiro vivo, mesmo que com quase dois metros e cem quilos”…. Ao ler a revista, quase eu viro, de Carneiro, Pavão, mas não: vou continuar assim, o Carneiro que sonha em meio ao pesadelo que assola a Amazônia. Só um “mais”: procure conhecer a Revista Pororoca. Vale a pena. Ela, por si só, é uma bela história de amor com a Amazônia.
AMAZÔNIA. Crônica publicada no meu livro NOVELÁRIO, em 1979
Voando, vê-se fumaça
Uma aqui, outra distante. Uma à esquerda, outra à direita.
Em avião pequeno, fácil identificar.
Vôo baixo, árvores empretecidas.
O rasteiro substituindo o copado alto.
Em avião maior, difícil detalhar.
É um verde que não acaba mais.
São águas serpenteando em meio ao verde.
De repente, a notícia.
Foi fogo tanto, que satélite se assustou.
(Um destes, que estão sempre detalhando a terra da gente)
Amazônia
Ainda que te expliquem,que justifiquem,
já foste mais verde, para quem, como eu, nasceu pisando teu chão,
andando e vendo,
testemunhando.
Eram, eram sim, mais árvores. Muito, mas muito mais.
Era, era sim, mais verde. Muito mais.
Quantificam o teu desaparecimento, dizendo ser bobagem a mutilação.Com ares superiores, desdenham a quem teme pelo teu futuro.
E estás menor. Ampliam tuas fronteiras teóricas, amazonizando até terras áridas.
Na pintura do mapa, lê-se pomposamente “Amazônia Legal”.
E tu, a verde, a dos rios, és ilegal?
Se depender de ti o oxigênio do mundo, que as futuras gerações aprendam a respirar oxigênio em lata.
Historiadores e estudiosos debruçam-se em detalhes para saber como áreas verdes do planeta terra transformaram-se em deserto. Seremos nós testemunhas oculares do processo?
Amazônia.Orem por ti, os que te amam
AVE, MAJESTADE. Crônica publicada no meu livro NOVELÁRIO, em 1979
Para que pudesse vir Sua Majestade, foi preciso muita coisa. Mudar tudo. Primeiro: S.M. não gosta de terreno arborizado. Que sejam derrubadas todas as árvores do local.
O chão era úmido. Pedaços dele há Séculos não viam um raio de sol.
As folhas caíam, apodreciam no solo, na umidade, em um renovar constante de fertilidade.
Mas vinha aí S.M.E foram as árvores, nobres e plebéias, ao solo. Inclusive algumas cuja presença mantinha imutáveis margens de igarapés.
Um trabalho insano, para atender S.M.
Não apenas derrubar: queimar, acabar.
O sol quente ressecou a terra que foi um dia permanentemente úmida e fértil.
Os igarapés viram suas margens desnudadas, a erosão desenhando sucos nas laterais, até que o caminho de água se tornou para sempre chão duro.
Replanta neste terreno seco. Tira a água das entranhas da terra, irriga, traz energia, canaliza. Atende a S.M.
Terra exposta? Replanta
Olha que bonito: a água esguichando em rotação, vitória, vitória, filma e fotografa mais uma beleza criada pela inteligência humana.
E crescem as plantinhas. O vento, forte, arriando e levantando talos e folhas, como se em balé sincronizado, em imensa área, onde antes era um impenetrável ajuntamento de troncos.
Eia, pois, tudo pronto.Que venha Sua Majestade, o BOI.
Ao invés de oxigênio, respire o homem bosta de boi.
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CARANÃ, A PALMEIRA AZUL DA AMAZÔNIA
Posted on maio 23rd, 2009 3 commentsOs paisagistas têm popularizado duas palmeiras que se destacam pela diferença de cor que apresentam: azuladas, são chamadas de “palmeiras azuis” – e são, realmente, belíssimas - a bismarquia nobilis e a brahea armata. São mais bonitas quando jovens, mas a sua juventude é longeva e alindam um espaço durante muitos anos, e mesmo quando adultas, suas folhas se destacam pelo inusitado da cor, incomum nas folhagens do mundo vegetal.
Bismarkia Nóbilis
Pois não é que a Amazônia tem uma palmeira
azulada? Tem. É a Caranã. Palmeira cespitosa, espinhenta, com espinhos que não se apresentam na fase jovem com a intensidade com que se apresentam na fase adulta, ou seja, os espinhos são mais agressivamente presentes na fase adulta da planta, quando o seu tronco perde a coloração mais azulada, que permanece nas suas folhas, principalmente na área inferior, para alegria dos amantes da beleza. Se cotejadas (foi o que fiz no Bosque Sonho do Carneiro) com as exóticas ornamentais, despertam curiosidade: e não é que é azul, mesmo? Um imediatista argumentou comigo: os seus frutos (iguaiszinhos, porém menores, paradoxo que se compreende vendo-os: um parece miniatura do outro, porém com o mesmo formato, e a mesma finalidade: o fornecimento de um suco de sabor muito agradável) fornecem sementes que custam a germinar.Acontece que tem gente que compra sementes da brahea, espera feliz da vida um ano para que germine, e acha que seis a oito meses da caraná se aproximam do que ele pensa ser uma eternidade. Pela beleza azulada das folhas e troncos jovens, é que estou propondo uma sinonímia botânica à caranã (nome científico: Maurittiela armata) PALMEIRA AZUL DA AMAZÔNIA!! Assim, poderá despertar a atenção no paisagismo, e mais uma espécie nossa irá enfeitar os espaços criados pelas cabeças pensantes que se dedicam ao estudo e crição de espaço cheios de encanto, e, se usada no paisagismo, terá garantida a sua preservação.
Para foto ampliada e mais informações, clique aqui
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Caribé com Ovos Escalfados
Posted on maio 20th, 2009 1 comment(Texto do meu livro inédito Mais um? O churrasco descomplicado. Orlando Carneiro)
Esta receita não tem nada a ver com churrasco, mas é que ela me atira como se catapultado à infância, e vou digitá-la para, num exercício de catarse, rever a tanta gente amada, inclusive a mim mesmo, criança ainda. É o seguinte: quando as crianças d’antanho adoeciam e adquiriam uma inapetência quase anorexórica, as mães se quedavam preocupadas. Quedavam-se, mas de imediato reagiam e partiam para uma ação tipo tiro e queda – ao menos para os paraenses. Faziam um caribé. Sabeis o que é, vós, os não-paraenses? É um mingau de farinha. De mandioca. (Base do chibé, que nós, os paraenses, ao paparmos, nos tornamos autênticos papa-chibés). Assim: farinha e água num recipiente, para inchar (a farinha). Depois, farinha inchada na água fervente de uma panela e o competente sal (fino). Mexer, mexer, sem deixar que se formem as bolotas da farinha, e eis o caribé feito. Tudo que bem. Para incrementá-lo, duas medidas. Primeira: escalfar dois ovos. Sabeis o que seja? Bom: não vou vos dizer que escalfar ovos é fazê-los no escalfador, pois ficará tudo como dantes. Para facilitar o entendimento do tema: é jogar os ovos (de galinha) após a quebra da casca, e exame da qualidade, no mingau fervente, que eles são cozidos misturados ao mingau. Ficam deliciosos, espalhados por entre a farinha tornada mingau. Segunda (a providência, lembrai-vos): colocar no mingau quente, já no prato ou na xícara, uma bela duma grande colherada de manteiga. Manteiga, e da boa. Ela fica derretendo, formando imagens como se nuvens fosse, um chamariz à prova e à alimentação, mesmo que inapetente o público-alvo. Prato de grande sustança, destes que batem na fraqueza e levantam a moral, suores pingando na ponta do queixo. Tudo que bem que escalfar ovos, tecnicamente, é jogá-los na água quente do escalfador que existe, sim, mas o primeiro que escalfou os seus ovos, talvez por não ser papa-chibé, não conhecia farinha e, por desconhecê-la, não sabia o que era um caribé velho de guerra.
Pronto, e desculpai-me, mas na digitação revi a casa da infância, aos meus jovens pais, infantes irmãos, a mim, criança, e a um belo prato de caribé com ovos escalfados e manteiga derretida formando imagens como se nuvens fosse!


